100 Textos por César Borissi.

Contos e poesias.

M-

Acabei pegando gosto por escrever sobre a minha ainda não completamente superada adolescência. Ainda fico sempre com a sensação de “tá, mas quem foi que te perguntou?” toda vez que escrevo algo assim, mas eu meio que já não me importo, sei lá. Me habituei a escrever coisas assim por ser um exercício maravilhoso de memória. Depois que um certo tempo passa a gente percebe como as coisas foram fantásticas apesar des.
Quando me convidaram para ir ao aniversário na pizzaria aceitei na hora. Poderia dizer que por peso na consciência de não ter ido na sua festa do ano anterior, mas era mais pelas pizzas, e pela oportunidade de interagir com seres humanos não virtuais naqueles tempos de MSN Messenger. Fui com minha melhor camisa encontrar os mesmos rostos que eu via todos os dias na escola, mas agora sem os uniformes, as olheiras e o ambiente escolar. Por isso eu estava nervoso, e infelizmente naqueles tempos o meu nervosísmo culminava em algo próximo da histeria.
Juntei-me aos meus amigos de sala. Fiquei entre pessoas que eu realmente não me lembro quem eram porque já faz muito tempo. Tresloucado de uma jovialidade que hoje eu minto dizer que não tenho. Comendo pizzas para compensar meus suados doze e noventa da época, fazendo piadas de humor questionável e falando mais do que o homem da cobra. Alucinado pelo décimo copo de refrigerante ouço na mesa da frente o início timido de um parabéns a você. Não penso duas vezes, na verdade não penso nenhuma, só começo a cantar parabéns a você junto a elas, com súbita adesão do restante da mesa. Acabou o parabéns, silêncio geral na pizzaria, e eu inicio animadamente um canto de Derrama Senhor. Lembra? “Fulaninho vai ser abençoado” clap-clap-clap “Porque o senhor vai derramar o seu amor!”. Essa mesma. Então.
Fui acompanhado ainda milagrosamente por outros adolescentes esquisitos como eu. E depois disso fui até a mesa trocar uma idéia, puxar um papo, sem fazer a menor ideia do que estava fazendo.
Pois é. Esse dia era o aniversário de treze anos de uma das meninas da mesa, amiga de outra, que não podia sair sem a irmã e arrastou a dita cuja para lá. E ali a gente se conheceu, doze de abril de dois mil e oito. Duas semanas depois e a gente ficou, e de repente, vivemos quatro anos e meio juntos.
Quatro anos maravilhosos pela companhia, pela amizade, pelo amor vivido do começo ao fim. Já faz três anos destes quatro anos. O tempo e a distância foram suficientes para diluir todas as chagas, e hoje o amor que se foi tem a beleza da lembrança que merece ter.

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Publicado às 23 de novembro de 2015 por em Contos e marcado , , , , , .
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