100 Textos por César Borissi.

Contos e poesias.

Vida Acadêmica.

– Pois não!
– Você que é o Sérgio?
– Sou.
– Pode se sentar.
– Muito obrigado.
– Você não faz matéria comigo?
– Faço?
– Faz, não faz?
– Devo fazer.
– Hum. Sérgio, a gente te chamou aqui porque a gente não entendeu direito a sua proposta.
– Que proposta?
– Como que proposta? A de workshop, no evento de educação que a gente ta organizando.
– Ah, to ligado!
– O que cê pensou que era?
– Sei lá, proponho tanta coisa nessa faculdade…
– É mesmo?
– É, ou. Vivo enchendo as caixas de sugestões anônimas com as minhas idéias.
– Sei…
– Sabe nada. É anônima.
– Então táa, vamos voltar. A gente não entendeu direito o que é que você quer fazer.
– Em relação ao que?
– O workshop!
– Ah, só!
– Pra te falar bem a verdade, a gente não entendeu muito bem o nome.
– É “Iniciação Básica de Pós-Acadêmicos à Etiqueta e Elementaridades Contemporâneas”.
– Justamente! Como assim?
– Como assim o que?
– O que é que você vai fazer, caramba!
– Ah! É o seguinte. Nesses cinco anos que eu to na faculdade
– Cinco?
– É, eu pude perceber que os professores tem… alguns problemas com coisas meio que essenciais sabe?
– Ah… não. Não sei.
– É coisa simples. Ligar e desligar projetor. Colocar slide de Powerpoint em tela cheia. Ligar caixa de som sem deixar metade do prédio com problemas auditivos…
– E é essa a sua proposta de oficina?
– Não, isso são as elementaridades. Ai depois a gente fala sobre etiqueta, sabe?
– Não, não sei…
– É explicar pra galera que se você manda dez e-mail com Urgente no nome eles deixam de ser urgentes… Que a gente passa número de celular, mas não é por isso que pode vir perguntar sobre TCC no Whatsapp, que se o professor for visto tresloucado na festinha ele deve ser legal com os alunos pra manter uma boa fama e…
– Como é que é?
– Oi?
Nenhum deles sorriu. Um abre um sorriso de canto de boca. O outro ri de nervoso.
– Tá certo então.
– Tá certo?
– Aham.
– O que?
– O seu workshop caramba!
– Ah, só!
– Quarta a tarde, pode ser?
– Demorou!
– Então tá.
– Ai o senhor me dá os creditos lá que eu preciso pra me formar?
Torceu a cara. Respirou fundo. O outro sorriu, e os dois lembraram da festa.
– Dou.
– Firmão então!
E saiu de lá, futuro doutor.

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Publicado às 3 de dezembro de 2015 por em Contos, Humor e marcado , , , .
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